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5:21 p.m. - 2007-06-15 No final da vida, Johann Sebastian Bach fez uma longa viagem para visitar o
filho, que trabalhava para o rei da Prússia Frederico, O Grande. Desafiado
então por este a improvisar sobre um tema complicado, o maior compositor de
todos os tempos (pelo menos para mim) não só se saiu brilhantemente, como ainda
aproveitou o embalo para escrever a minha obra erudita preferida, chamada
Oferenda Musical, um apanhado magistral de
cânones, fugas e trio-sonatas. Este encontro insólito é o ponto de
partida para o ótimo Uma noite no palácio da razão, de James R. Gaines,
que não só conta a história da vida dos dois grandes personagens, como
ainda dá um amplo painel da época em que o "iluminismo" começava a despontar,
desafiando as religiões estabelecidas.
Dada a sua sutileza, é difícil saber a real opinião do autor, mas como
os personagens religiosos - Bach à frente - são pintados com cores mais
favoráveis do que aqueles do outro lado - principalmente Voltaire e Frederico, O
Grande -, acabei ficando com a impressão de que Gaines é mais religioso do
que ateu. |